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ATÉ LOGO, AMIGOS...

Escrito por Pe. João Evangelista dos Santos on . Posted in Informativo Paroquial

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      Assim nos diz a bela música do grupo Roupa Nova. Uma grande verdade sobre a qual devemos pensar a vida. Tudo tem um começo, um meio e um fim. E é muito importante que entendamos esta dinâmica da vida, pois assim fica mais fácil suportar as muitas despedidas do nosso dia a dia.

     Eu me ordenei e achei que poderia dar conta dos trabalhos desta grande paróquia. Na verdade eu não sabia do tamanho da responsabilidade que estava assumindo. Mas, sendo enviado para morar em Santa Maria e auxiliar o padre daquela paróquia a atender lá e cá, preferi ficar sozinho, sem nenhuma experiência, pois via que esta paróquia não deveria ficar sem um padre residente. Foi uma decisão ousada, mas tive o apoio de um povo muito competente que me assumiu como aprendiz de sacerdote. 

    Alguns anos se passaram e, olhando para trás, vemos o que deu certo e o que não deu. Sou limitado, muito limitado. Não consegui fazer muita coisa: não fui capaz de manter de pé o Movimento de Fé e Política, as Pastorais da Fraternidade e do Idoso. Outras reclamaram a minha ausência, mas na verdade eu tentei. As dificuldades foram muitas. Nesta paróquia eu tentei atender mensalmente as 35 comunidades, além das 10 de São José da Safira por quase dois anos, as 25 de São Sebastião do Maranhão por mais de um ano, e isso é muito difícil. Mas, tudo foi feito visando ajudar o nosso povo a se encontrar um pouco mais com o Senhor. Chegava, às vezes, já cansado nas comunidades e não tinha condições para uma conversa ou mesmo um tempo para uma simples escuta.
    Conseguimos alguma coisa também nas pastorais como a renovação do ECC, a criação da Infância e Adolescência Missionária, vivemos a queda e o reerguimento da Pastoral Familiar, a queda e a lenta tentativa de ascensão da Pastoral da Juventude e a boa tentativa da formação da Pastoral da Acolhida, a boa caminhada da Liturgia, da Catequese, entre outras.
    Tentamos também uma melhora na parte física da paróquia reformando a casa, o salão, parte da igreja e dos seus arredores. No entanto, sabemos que muitos esperavam muito mais de mim. Muitos foram machucados por mim e outros tantos tentaram me machucar. A estes eu peço perdão. Perdoem-me por não ter correspondido ao que vocês esperavam. Ninguém é perfeito e eu sei que a perfeição passa muito longe de mim. Perdoem-me pelas palavras duras, pelas muitas cobranças, pela impaciência, pela arrogância. E, acima de tudo, muito obrigado pelos desafios que vocês me ofereceram para que eu pudesse crescer um pouco mais. Para mim tudo isso foi muito importante.
     Àqueles que me apoiaram, eu só tenho a agradecer. Muito obrigado por terem sido meus amigos, companheiros e irmãos. Obrigado por terem me suportado nos momentos de impaciência, de infantilidade, de arrogância, de autoritarismo. Obrigado por terem me ajudado a fazer tudo o que eu fiz. Obrigado por terem me ajudado a ser padre junto de vocês.
    Muitos tentaram ser minha verdadeira família aqui. Obrigado Dê, Eva, Ana, João, Jordan, Rosa, Irani, Eneida, Cily, Maria, Cele, Fia, Sandra, Poy, Thássila, Virlene, Zirinha e ... As saudosas Donas Terezinhas, seus familiares e tantos outros que me abriram sem medida as portas de seus lares. Perdoem-me, pois não é possível colocar os nomes de todos. Obrigado a cada membro de Pastorais e Movimentos pela dedicação de vocês. Obrigado àqueles que acreditaram em mim, que lutaram comigo, que choraram comigo, sorriram comigo, que me suportaram, que me perdoaram, que brigaram comigo e aos que conseguiram ver também que o padre é um ser humano, com defeitos e qualidades. Obrigado àqueles que tentaram fazer o padre “engordar” com seus agrados. Obrigado também àqueles que foram pedras em meu caminho, que me levaram a amadurecer bastante em meu jeito de ver a vida.
    O meu tempo aqui acabou e eu estou indo embora. Não estou indo por causa de ninguém e de nenhum problema específico. Vou porque a Igreja pediu que eu fosse jogar minhas “redes em águas mais profundas”. Rezarei por todos como sempre fiz e peço que continuem rezando por mim.
    Vou embora e deixo um santo em meu lugar, mas é um santo humano que precisa que vocês o acolham com carinho e amor, que entendam seus defeitos e perdoem os seus erros. Ninguém é igual a ninguém. Deixem que ele seja ele, com seu jeito de fazer as coisas. Ele será muito bom para a paróquia. Que o trabalho seja fecundo e que Deus abençoe a todos!
   Obrigado Água Boa por ter me permitido participar de um pedaço de sua história. Sempre me lembrarei com muita saudade, carinho e amor da minha primeira paróquia.
Pe. João Evangelista dos Santos
Ex- Administrador Paroquial